segunda-feira, 27 de abril de 2020

Consciência de classe ou consciência crítica!

  Para esse mero pensador são conceitualmente equitativamente, mas o significado da consciência já definida e analisada para além das ciências humanas nos permite dizer que ter consciência é apropriar-se de competências, habilidades de antever e conseqüentemente planejar-se, refletir e analisar os impactos decorrentes de suas ações, considerando os princípios, ideais teóricos ou práticos. Neste sentido a, Consciência crítica é a atitude, conduta, comportamento reflexivo, dada as situações e objetos da realidade a nossa volta. E a consciência de classe se refere a idéias, ações de cunho político, produtivo, econômico e social dos trabalhadores, profissionais que inevitavelmente inseridos no processo de produção e que imbuídos desta, teriam melhores condições de compreender a sociedade burguesa e suas relações de classe em sua totalidade.
  Para Cristiano das Neves Bodart a “consciência de classe”. Para compreender esse conceito é necessário entender outros que o orbitam, que compõe a sociedade capitalista, grosso modo, uns poucos são donos de meio de produção (fabricas, bancos, propriedades rurais, etc.), enquanto que outros a, maioria absoluta da população por não ter meios de produção vendem sua força de trabalho (são os assalariados) para sobreviver.
Pensando e analisando! Essas diferenças, já apontadas por Marx é possível perceber na sociedade as classes sociais. E é preciso ter clareza de consciência: “a consciência de si” e a “consciência para si” e, portanto de qual é a “classe para si”. Ou seja, a consciência de si é reconhecer a sua classe enquanto grupo no contexto da exploração no sistema capitalista.
  Essa compreensão que entendo ser fundamental está ausente no contexto atual e por conseqüência não temos referencias da classe trabalhadora, não nos sentimos representados nem aqui nem lá na capital federal. Mas por quê? De quem é a culpa?
  A classe é antes de tudo, um “ser” social e a ausência desta consciência nos fragiliza enquanto grupo social. Fortalecer essa consciência é romper com a visão fatalista de mundo é, sair do estado de alienação e perceber o outro, os sentimentos e os sofrimentos alheios e assim apreender a realidade, abrindo espaço para reflexão e tomadas de decisões. Fora disso somos cegos que não sabem o que é, nem para onde ir. Não identificamos ou nos equivocamos na percepção das causas e as possíveis conseqüências das nossas atitudes. Facilmente nos deixamos convencer pela propaganda, pelo discurso ou pela aparência.
  No atual contexto histórico profundamente marcado por grandes mudanças que a afeta a todos o poder econômico e produtivo nos coloca em situação de subordinação e usa de todos os recursos para desconfigurar a idéia de consciência de classe. O que leva, por exemplo, um trabalhador comum de chão de fábrica ou um profissional liberal acatar e até defender um projeto político claramente de interesse do poder econômico (a exemplo do que ocorre atualmente no país) em detrimento do bem estar social? Ou refutar um projeto político de caráter social progressista? O que levaria um trabalhador negar a sua classe e se considerar embora assalariado um ser de outro nível? Neste contexto seria normal, por exemplo, professor criar grupo para dialogo e informações com seus estudantes e na primeira manifestação adversa silenciar o grupo bloqueando outras possíveis manifestações em conformidade com a cultura conservadora e autoritária.
  Munido de consciência de si e enquanto classe é a chave para êxitos das escolhas e decisões que contribuíram para transformação da realidade como trabalhadores que somos, identificados diante dos fatos sociais, políticos, econômicos e tecnológicos e apreender a realidade imposta e as ideologias dominantes.
  Karl Marx e Friederich Engels, afirmam que os indivíduos só formam verdadeiramente uma classe quando assumem a consciência da sua condição de exploração e se comprometem na luta comum... É necessário que o indivíduo, o trabalhador desenvolva a capacidade de compreender e dominar as ações e as relações ao seu redor e se torne sujeito protagonista no processo histórico e social. Esse deve ser o papel da escola, da educação. Mas a que parece essa competência ainda é um desafio, o que é lamentável porque a consciência precisa ser estimulada, cabendo à educação através do conhecimento desenvolver uma consciência humana com uma postura de comportamento, que contribua para a consolidação de uma sociedade melhor, cercada de justiça e paz. Uma nova visão de mundo. Att. Professor João Carlos Martins.

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